quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu conheço-te

Eu conheço-te...
Tu que habitas agora meu coração...
És-me demasiado familiar...
Eu conheço-te... Sempre te conheci...
E pensei que desta vez... tinhas ido embora para sempre...
Mas não... Tu continuas aqui...

Algum dia me verei livre de ti?
Parece que a cada sol nascente te expandes e corrompes mais aquilo que sou...

Sei os efeitos que provocas em mim...
Sem como me fazes sofrer... Sei como te odeio...
Sei como não me deixas viver...

Ao mínimo sinal... sei que és tu...
Porque ao fim deste tempo todo...
Eu conheço-te...

És o vazio em meu coração que apenas a verdadeira princesa podia preencher...
Aquela... dos contos de fada...
Mas ela não está aqui... E os meus sonhos... nunca passarão disso mesmo...

E tu... tão familiar me persegues...
De novo...
Porque no fim sou sempre eu e tu, Solidão...
No fim de contas... quando acho que finalmente entendo tudo...
Não sei nada... Não conheço ninguém...
Mas a ti Solidão... a ti sim...
Eu conheço-te... Bem demais...

Porque no fim da guerra... apenas sobramos nós...
És a faca cravada em meu coração que alguém um dia jurou tirar...
Como se fosses a espada Excalibur e o meu coração a pedra de onde em tempos mágicos Artur a removeu...
E assim o príncipe virou rei...
Quanto a ti faca Solidão...
Apenas a mais pura das princesas te poderia remover...
E assim a princesa viraria rainha do reino que sou eu...

Mas até esse dia chegar... se é que chegará realmente um dia...
Tu ficarás aqui... a matar-me lentamente...
Como é que eu sei?
Porque no fim de todo este tempo, Solidão...
Eu conheço-te...